A Ilha de Arguim
de Francisco Pestana

Temporada artística

1997

Em exibição

22 a 30 de novembro 1997
Teatro Municipal Baltazar Dias

classificação etária

Maiores de 12 anos

duração

2 Horas
(aproximadamente)

Produção 65 do Teatro Experimental do Funchal

Texto do Encenador

Contar através de todos os elementos que posso dispor, com os quais posso narrar a revolta da Madeira em 1931 pelo corpo e voz dos actores na sua quase, expressão última não é suficiente.
Contudo, é já uma achega para um manancial de acontecimentos relatados sobre a época, através da ficção, onde a chama da impetuosidade elevou a voz madeirense durante quase um mês.
Porém, como relâmpago extinguiu-se e tudo obrigatoriamente teve de voltar à quietude dum silêncio remoído nas gargantas dos sonhares até ao fim em que puderam falar de autonomia.
Este tema em cena é a concretização dum pensamento antigo, já muito antigo, que quis acordar para o teatro.
O seu cunho popular fará facilmente correr as ideias e comunicar com o nosso público.
Por esse motivo dedico-o, por muitas das recordações através de conversas, imagens, que ficaram em mim gravadas nestes quase quarenta anos de vida, dos quais vinte no teatro com todos aqueles com quem eu sempre estive, me acompanharam, eu acompanhei e aprendi e vivi e cresci e aqui estou ainda a começar um novo tempo.
À Menino, ao Vargas, à Tomé, à Teodolinda e a ti meu Mendes.

Encenação
Eduardo Luíz

INTÉRPRETES E PERSONAGENS

Margarida Gonçalves | Maria
Paulo Brazão | Xaramba
Bernardete Andrade | Angelina 
António Plácido | Carlos 
Paula Erra | Ângela 
Pedro Cabrita | José Maria
Ester Vieira | Tia Edwidges 

Ficha Artística e Técnica

Autoria | Francisco Pestana
Encenação e Direcção Artística | Eduardo Luíz
Assistência Dramatúrgica | Fátima Marques
Assistente do Director Artístico | Duarte Rodrigues
Assistente de Encenação | José Ferreira
Direcção de Cena e Contra-regra Geral | Cristina Loja
Ajudante de Contra-regra | Rafael Teixeira
Concepção Gráfica | Teresa Brazão, Raúl Pestana e Emídia Loja
Figurinos e Adereços | Margarida Lemos Gomes e Anabela Ascensão
Caracterização | Miguel Vieira
Assistência de Caracterização | Rafael Teixeira e Maria João
Chefe de Carpintaria e Pintura | Sérgio Rodrigues e Nélia Vieira
Serralharia | SR Interiores e Exteriores
Chefe de Costura | Julieta Arriaga
Ajudantes de Costura | Conceição Franco, Conceição Jardim, Ilda Câmara, Isabel Pereira
Cartaz e Capa de Programa | Guilhermina da Luz
Sonoplastia | Henrique Vieira
Luminotecnia | Hélder Martins
Ajudantes de Luminotecnia | David Ferreira e Francisco Gomes

SINOPSE

Numa escolha selectiva de ambientes e personagens faz-se uma reconstituição de uma época que foi especialmente complexa do ponto de vista político para os intervenientes na obra.
Desde a caracterização onde não faltam: a criada com o seu acentuado regionalismo, a velha tia inglesa, símbolo de uma mordomia a que se pretendia pôr fim, passando pela intriga romanesca da filha de família que se envolve com o simples empregado, embora politizado, até ao filho que, seguindo as pisadas do pai vai defender ideias que o votarão a piores tempos.
Lado a lado com este enredo, corre uma vida doméstica, onde nada parece fazer prever os acontecimentos que se abaterão sobre a casa, destruindo o já precário equilíbrio e enchendo os corações de animosidades profundas, que afinal sempre tinham existido.
O que de facto torna esta obra interessante é a veracidade e o realismo de determinadas cenas, onde o seu autor através de diálogos vibrantes e de informantes cénicos oportunos, deixa não só transparecer aspectos caricaturais como também nos leva para esse passado próximo de rebelião, que mostra apesar de tudo, a capacidade de luta do ser humano.
É a ilha e a sua coragem cheia de romantismo emotivo que via progressivamente brilhando e é a voz do povo com esse genuíno grito: “Anda… Anda ver a Revolução…” que mais uma vez se sente que na adversidade há sempre quem se levante contra a opressão.

Fátima Marques

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