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Desenho é pensar com as mãos. As mãos, quando se dão, fazem o gesto mais recíproco que há: quando se dá uma mão também se recebe uma mão. PORTELA, Patrícia, A escrita que tudo une, Lisboa, Jornal de Letras, n.º 1320, 5 a 18mai2021, p. 12

– Mas toda a gente gosta de desenhar, não é mãe?/ – Acho que sim, mas nem todos temos tempo, é preciso muito tempo para ver com as mãos, e as máquinas não precisam de ver, registam sem olhar. PORTELA, Patrícia, hífen, Alfragide, Editorial Caminho, abr2021, p. 74

Comecemos pelo desenho, o desenho das coisas, por dentro das coisas. Representação. Foi assim, no engendrar de uma personagem, o senhor ilhário (ou Hilário). Um ponto de partida./ (…) O projeto senhor ilhário, constrói-se em dois momentos: Parte I – os apontamentos sobre a personagem; Parte II – a exposição coletiva AQEA. Aflora-se um livro, como antagonismo à realidade do senhor ilhário. A designação AQEA, é uma possível abreviatura, uma simplificação sobre o título do romance: “Aquilo Que Eu Amava”, de Siri Hustvedt. (…)/Nas primeiras páginas do romance, lê-se: Os sentimentos e as ideias moldam aquilo que temos diante de nós. Cézanne queria o mundo nu, mas o mundo nunca é nu. Aquilo que eu pretendo com o meu trabalho é semear a dúvida. – Porque a dúvida é a única coisa de que estamos certos.(p.16), afirma-o Bill. (…) Como artista, Bill perseguia o invisível no visível. (p. 17). Por isso, a introdução inicial na afirmação de Patrícia Portela: é preciso muito tempo para ver com as mãos. Precisamos de tempo, para dizer da verdade dum desenho. O senhor ilhário, quase sabia disto, familiarizando-nos com as suas coisas, através duma cor comum – encarnado. (…) A Exposição AQEA, é pois, um possível diálogo, uma ponte com o universo do senhor ilhário, uma sombra, um ponto de fuga que o espetador estabelece e o artista enaltece.

  

Excertos do texto – FOLHA DE SALA, por Paulo Sérgio BEJu, jun2021

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