Xmas Qd Quiseres
de Jorge Louraço Figueira

Temporada artística

2015 / 2016

Em exibição

21 a 24 outubro 2015
Teatro Municipal Baltazar Dias
(em itinerância na Madeira)

Classificação etária

Maiores de 12 anos

Duração

1 Hora (aproximadamente)

Encenação
Eduardo Luíz

INTERPRETAÇÃO

Adriano Martins*, Isabel Martins e Simão Telo*.

* Em Estágio Profissional pelo Instituto de Emprego da Madeira

Ficha Artística e Técnica

Texto | Jorge Louraço Figueira
Encenação e Conceção Cenográfica | Eduardo Luíz
Apoio à Montagem Técnica e Artística | Adriano Martins e Cristina Loja
Luminotecnia e Operação de Luz | Hélder Martins
Seleção de Guarda-roupa e Adereços* | Cristina Loja
Pesquisa e Montagem da Banda Sonora** | Simão Telo
Operação de Som | Célia do Carmo
Design Gráfico | DDiArte
Fotografias de Ensaio | António Plácido
Produção, Promoção e Divulgação | António Plácido, Filipe Luz e Magda Paixão
Frente Casa e Bilheteira | Teatro Municipal Baltazar Dias e TEF

* Utilização/adaptação de figurinos e adereços, de anteriores produções do TEF.

** Neste espetáculo são utilizadas as seguintes músicas: “Christmas in Hollis” – Run DMC; “Bazamos ou Fikamos” – Mind da Gap; “Ghetto Superstar” – Pras feat. Mya & Ol’ Dirty Bastard; “New Year’s Day” – U2; “Last Christmas” – Wham!

Texto do Encenador

Falar sobre este texto de Jorge Louraço Figueira é como refundar a adolescência em cenários diferentes, em variados contextos, conforme a nossa vivência (boa ou menos boa). É um mergulho no sentimento de adolescentes perdidos sempre nas suas angústias perpetradas na maioria das vezes pelos adultos que não arranjam tempo para pensar no “alimento” de “novos jovens”, porque também um dia foram adolescentes e tiveram que se desenrascar. Falar sobre este texto é também não falar em nada disto, é não ser nada disto, mas estar intrínseco, é abordar a essência do ser adolescente com todas as suas vicissitudes, as suas virtudes, a sua generosidade e os seus sonhos, independentemente da classe social a que pertencem. O que mais importa neste texto é o debruçar sobre problemas reais de adolescentes desta época, é o associar problemas de adultos, no caso, o de professores, que têm como missão instruir, formar crianças e jovens, educar e com eles comungar e partilhar vidas, em dias inteiros, dentro e fora do percurso escolar. Falar no texto é estar dentro e fora e no futuro de novas vidas a caminho do que será um dia a idade adulta com vestígios de adolescência. Falar do texto é também falar dos problemas graves de sobrevivência de professores, jogados à calha num tabuleiro de xadrez, cada vez mais pernicioso, que acaba por influenciar todo um sistema de instrução, de formação e na maior parte das vezes de educação de futuros profissionais. Apresentar este texto é querer falar dos dias de hoje, com urgência, antes do dia de amanhã, porque se estão a repetir, muitas e muitas vezes, situações menos boas.

Sinopse

“NICO – Porque é que a s’tora Natália se foi embora?
NATÁLIA (Precipitada) – Achas que para mim foi fácil deixar os meus alunos, a meio do ano? O outro professor acabou a licença, eu fiquei sem vaga, sem nada, tinha de me desenrascar de alguma maneira. Ia viver do ar?”

FIGUEIRA, Jorge Louraço. (2004). Xmas qd Kiseres. Porto: Campo das Letras, p. 55.

“(…) Nico e Pilim são amigos, companheiros e residentes no Sítio do Bairro. Decidem nas vésperas de Natal assaltar a Escola que frequentaram até há pouco tempo e onde conheceram Natália, a professora de Inglês. Esta apenas consegue ser colocada em regime de substituição e na noite do assalto surpreende os seus ex-alunos na escola.
O confronto verbal que se estabelece entre os ex-alunos e a professora revela as fragilidades, as desilusões, as faltas de oportunidade, a sensação de impotência que Nico e Pilim sentem em relação à sociedade, e não só: também Natália partilha de forma aberta os seus problemas. A diferença entre eles reside na capacidade de sonhar, de validar projetos, de acreditar ainda na dignidade do ser humano. E é esta descoberta, esta partilha, que os vai unir (….)”.

António Mercado


Produção 99 do Teatro Experimental do Funchal