Prisioneiros
de Mario Gollen

Temporada artística

2011/2012

Em exibição

13 a 21 julho 2012
Cine Teatro de Santo António

Classificação etária

Maiores de 12 anos

Duração

1 Hora (aproximadamente)

Encenação
António Plácido

INTÉRPRETES E PERSONAGENS

António Plácido | Ideias
Carlos Vieira | Lanzudo
Duarte Rodrigues* | Xaramba
João Norberto | Cara de Pau
Miguel Ângelo | Casmurro

*Gentilmente cedido pela Secretaria Regional da Educação e Recursos Humanos | Direção Regional de Educação | Núcleo de Inclusão pela Arte

Ficha Artística e Técnica

Texto Original | Mario Gollen (pseudónimo de Cruz Andrade)
Música: arranjo musical do tema em Hip Op | Ricardo Dias e gravação no estúdio do Paulo Ferraz; vários excertos de filmes de Charlie Chaplin
Encenação e Dramaturgia | António Plácido
Desenho de Luz | Hélder Martins e António Plácido
Coordenação de Figurinos e Dispositivo Cénico | Cristina Loja
Assistente de Encenação | Xavier Miguel
Direção de Cena e Contra-regra | Xavier Miguel.
Dispositivo cénico | Eduardo Luíz e Cristina Loja
Direção Vocal | Ricardo Dias
Operação de Som | Cristina Loja e Xavier Miguel
Operação de Luz | Hélder Martins
Montagem de Luz | Hélder Martins e Xavier Miguel
Apoio Geral | Equipa TEF e Elenco
Frente de Casa e Bilheteira | Equipa TEF

Texto do Encenador

«Um Pedaço Flagrante da Vida Colhida e Observada Numa Prisão (…)» *

(assim resumiu o crítico do jornal “O Século” a farsa Degenerados)
«(…) desmontar as raízes de classe da justiça burguesa foi obviamente o objectivo de Mário Gollen (pseudónimo, ao que supomos, do jornalista Cruz Andrade) com a farsa Os Degenerados, que o crítico do jornal «O Século» resumiu como «um pedaço flagrante da vida colhida e observada numa prisão, onde cinco condenados, que se dizem vítimas da injustiça social, procuram passar o tempo julgando-se uns aos outros e trocando entre si, de cada vez que muda o réu, os lugares de juiz, delegado e defensor». Para uns «mera coleção de artigos de fundo» ou simples «quadro de revista», para outros «o grito sincero dum espírito revoltado contra as injustiças dos homens que andam amparando com velhos esteios a caranguejola social», esta paródia da justiça encerra a sua própria condenação como instrumento repressivo da classe que detém o poder e, extensivamente, da sociedade que nessa justiça se apoia e através dela se defende daqueles que denunciam a sua intrínseca injustiça. Não temos notícia de qualquer outro trabalho teatral deste autor. (…).»*

*SOUSA, Luís Francisco Rebello (1978), O Teatro Naturalista e Neo-Romântico (1870-1910).

«Peça em três atos da autoria de Cruz Andrade. Esta peça foi proibida pela Comissão de Censura» *

*Arquivo Nacional Torre do Tombo.

Cinco prisioneiros transformam a cela onde são companheiros de infortúnio, num improvisado tribunal e implementam o seu próprio julgamento, sem subterfúgios nem cartas na manga. Seguindo a via da dialética entre o bem e o mal, o justo e o injusto, estes cinco homens levam o espetador a sentir-se parte do processo. Pretende-se que o público seja levado a questionar certezas antigas, se emocione com as misérias humanas e se ria com o caricato e o absurdo das situações com que se vai deparar. Prisioneiros é um espetáculo irónico, satírico, contumaz, com referências a situações dramáticas da vida das pessoas comuns, encarnadas pelos cinco prisioneiros, que não deixa nunca de ser uma comédia simples e que pretendi sempre, fosse um espetáculo sem época, que não implicasse nenhuma intertextualidade mas que levasse o espetador a pensar depois de rir ou a rir enquanto pensa.

Sinopse

“(…) é necessário que tenhamos coragem para proclamar a verdade, ou então calemo-nos de vez com esses palavrões de humanidade, que não existe e de justiça, que não é mais do que a filosofia das conveniências. Proclamemos o direito da força, que é afinal o que existe e sejamos feras a valer.(…)”

In Degenerados – Mário Gollen

Cinco prisioneiros, companheiros de cela, resolvem simular o seu próprio julgamento, assumindo cada um deles, à vez, o papel de juiz, advogado de defesa, advogado de acusação, acusado e respeitável público. Neste jogo, na realidade, aquilo que o autor faz, é o julgamento da sociedade e do próprio sistema judicial, usando ironia, sátira e dramatismo, que culminam numa comédia.

AGRADECIMENTOS

Um agradecimento muito especial ao Ricardo Dias que aceitou o desafio de fazer o tema original, roubando algum tempo aos seus dias preenchidos, ao Paulo Ferraz que gravou o tema no seu estúdio inventando um espaço livre, aos STG que dançaram o tema original, emprestando-lhe toda a sua irreverência e plasticidade, ao Délio Gonçalves que respondeu a um apelo quase desesperado e veio a correr gravar duas cenas do prólogo, com a sua câmara, ao António Alexandre que disse sim sem pensar, ao desafio de cantar o tema do espetáculo, aos 4litro que aceitaram participar num dos sketchs do prólogo e finalmente ao João Santos, da produtora Desenquadrado, que desde logo se disponibilizou para gravar as cenas em vídeo e editá-las com o profissionalismo e qualidade que todos lhe reconhecem. Ao Filipe pela sua mão na coreografia final dos prisioneiros e ao Estabelecimento Prisional do Funchal pela gentileza no empréstimo das calças que vestiram os prisioneiros.

Ainda os agradecimentos:

Ao Eduardo Luíz, pela sua participação especial como polícia nas cenas do prólogo, gravadas em vídeo, ao Henrique Vieira pela paciência na procura dos separadores sonoros do texto, aos atores que sem exceção, apesar do muito trabalho que tinham, aceitaram o desafio de construírem as personagens que lhes foram entregues e a toda a equipa técnica que trabalhou.


Produção 85 do Teatro Experimental do Funchal