Madeira, Mydear – Furnasbook ou Aipodemos
a partir de Ernesto Leal

Temporada artística

2011/2012

Em exibição

Museu do Vinho
30 setembro  2011
Teatro Municipal Baltazar Dias
2 a 8 outubro 2011
Fórum Machico
5 novembro 2011
Centro Cívico do Caniçal
12 novembro 2011
Centro Cívico do Porto da Cruz
13 novembro 2011
Centro Cultural John dos Passos
26 novembro 2011
Cine Teatro de Santo António
15 e 16 junho 2012

Classificação etária

Maiores de 16 anos

Duração

1H05m
(aproximadamente)

Encenação
Élvio Camacho

INTÉRPRETES E PERSONAGENS

Apenas no palco:
Élvio Camacho | Simplório Vilão
Patrícia Perneta | Simplória Viloa

Apenas no filme:
Ana Graça | Arquivadora Perdida
Avelina Macedo | Tasqueira Perdida
Cristina Loja | Patinadora Perdida
Décia Isabel | Estagiária Encontrada
Daniel Nascimento | Motoqueiro Perdido
Eduardo Luíz | Amante Perdido
Hélder Martins | Aspirador Encontrado
Magda Paixão | Estaticista Perdida
Maria José | Bambiarra Encontrada
Mário Rodrigues | Fã Perdido
Paula Erra | Amante Perdida

Ficha Artística e Técnica

Texto | a partir de Ernesto Leal
Encenação e Dramaturgia | Élvio Camacho
Artesão do Boi |
 José Manuel
Apoio Geral | Equipa Base do TEF
Design Gráfico | Dupla DP & Associados S.A.
Frente de Casa e Bilheteira | TEF
Fotografia do Cartaz | Célia do Carmo

Neste espectáculo, são utilizados e, ou, parafraseados breves trechos musicais dos seguintes álbuns ou artistas:
– João Victor Costa, Obras para Piano, por Robert Andres, as obras Variação V e Variação IV (de Oito Variações Sobre o Tema “Bailinho da Madeira”) e por Robert Andres e Honor O’Hea, a obra Variações Sobre o Tema “O Xaramba”, numa edição Numérica (2008);
– Braguinha – Music and Musical Instruments of Madeira, por Danilo fernandes, a obra Calcinha, numa edição Pan Records (1996);
– O Baile da Camacha – A Origem e a História, por Grupo Folclórico da Casa do Povo da Camacha, a obra Baile “Alla Moda”, numa edição Tradisom Produções Culturais (2008);
– Ai Bate o Pé, por Max;
– Terry’s Theme, por Charlie Chaplin, orquestrado por Fernando Almeida, e interpretado por Paula Erra, com letra de João de Barros, numa versão para o espectáculo do TEF, Strip II (2008);
– Saturnalia, por Deutsche Bläserphilharmonie & Walter Ratzek, a obra The Age of Aquarius, numa composição de Bert Appermont, numa edição Beriato Music(2007);
– Antologia Tradicional da Música da Madeira, por Almma e AA.VV., as obras Cantiga da Carga, Quadrilha n.º 3 e Charamba do Vieirinha, numa edição Almasud (1998);
– At the Drop of a Hat, (1959), por Michael Flanders e Donald Swann, a obra Madeira M’Dear, numa edição EMI Records LTD (1991);
– At the Drop of a Hat, (1959), por Michael Flanders e Donald Swann, a obra The Hippopotamus Song, numa edição EMI Records LTD (1991);
– Blue Suitcase, por Peter Ecklund, a obra Old Madeira Waltz, numa edição Peter Ecklund (2010);
– Piano Music of Halim El-Dabh, por Halim El-Dabh, a obra On The Shores of Madeira, numa edição Halim El-Dabh Music LCC (2009);
– 100 Folks Classics – History of Folk, por Kingston Trio, a obra The Wines Of Madeira, numa edição Classic Music international (2010);
– Right from the Start, por The Limeliters, a obra Have Some Madeira M’Dear, numa edição Spa Creek Music (2007);
– {Combinations}, por Chuck Mitchell, a obra Have Some Madeira M’Dear, numa edição Strider (2008);
– New Orleans Jazz (Wilbur DeParis And His ‘New’ New Orleans Jazz Band – Wilbur DeParis Plays Something Old, New, Gay, Blue), por Wilbur DeParis e ‘New’ New Orleans Jazz Band, a obra Madeira, numa edição Makin Friends Records (2010);
– Judas, por Lady GaGa, o ‘single’ Judas, de Lady GaGa & Red One, numa edição Interscope Records (2011).

Utilização/adaptação de figurinos e adereços, de anteriores produções do TEF.

Texto do Encenador

Como uma Esquadra de Navegação Terrestre…

«(…) Cheira a terra molhada.
(…) Cheira a fetos.
(…) Cheira a cera.
(…) Cheira a santa.
(….) Cheira a suor.
(…) Cheira a Poncha.
Sobe a névoa.
Cheira a milho.»*

Fazemos teatro desta forma: com o sentido de ócio das curiosas esquadras de navegação terrestre que existiram outrora na Madeira. Temos todas as patentes dentro de nós, somos alvos (e temos alvos) a atingir com humor e alguma ofensiva disciplina. Temos fardamentos mil, fragatas, corvetas e torpedeiros. E neste espectáculo saímos e entramos nas furnas para criarmos poios e avançarmos, por entre as bananeiras e canaviais, ao ataque de anononeiras que nos dão o pudim da natureza, como nos lembra Ernesto Leal. Queremos as pipas à nossa e à vossa disposição. Ernesto, com a sua escrita de tufão que percorreu o mundo, é nítido nos detalhes e tão leal ao que nos oferece de memória da sua terra natal – Ilha da Madeira. Há um livro, Tio, Ilha, Anonas e Estrelas**, uma selecção e organização de textos de Ernesto Leal feito e prefaciado por António Fournier, publicado pela Funchal 500 Anos, que é parte***, essencial, desta nova aventura do TEF. Recomendo-o porque é dum dos Madeirenses, é das nossas vidas, fala de nós, comove-nos e fala-nos dum rapazito ansioso, dum boi (tourão), de viagens, de maçarocas de milho, de canas-de-açúcar, de bananeiras, da rádio, dum homem que come névoa, de estrelas, que são, como diria Thornton Wilder, na peça A Nossa Cidade, “velhas de séculos no céu”, ou como nos lembra Eça de Queiroz, no final dum dos meus contos predilectos, Adão e Eva no Paraíso, que “nem decerto nos amam – nem talvez nos conhecem”. Estamos certos que a sua escrita conhece uma grande parte de nós. Voltámos a uma parelha de actores, depois de em 2000, sentados em cima de máquinas de veneno, termos feito A’Rosas Suicidam-se, de Ramón Gómez de la Serna e de, em 2002, sentados frente a um bazar num arraial, Mééééé… Tudo é Como é, a partir de Alberto Caeiro e Fernando Pessoa. Uma parelha que quer celebrar a Madeira como Michael Flanders e Donald Swann a festivaram, sobre o vinho, com o tema musical Madeira, M’Dear nos anos 50. O nosso mastro está erguido. Contamos com o público para esta batalha, e que do Pilar de Banger nos orientem por entre as veredas. Dedicamos este espectáculo a António Fournier, Carlos Nogueira Fino, Constantino Lopes Palma, Graça Alves, Irene Lucília, José Agostinho Baptista, José António Gonçalves, José Viale Moutinho, José Tolentino Mendonça, Nelsón Veríssimo e Margarida Falcão de universais que são e por saberem, de distintas e belas maneiras, nos deixar «(…) quase em lágrimas a escutar a humanidade e as estrelas»*. Ao contrário da locução latina si vis pacem, para bellum (se queres a paz, prepara-te para a guerra) gostamos da fantasia de querermos a guerra que nos prepare para a paz. Estepuilha! Como num ‘aipad’, nós ‘aipodemos’, o ‘furnasbook’ inventamos e na terra navegamos.
P.S.0: faremos mais 120 criações do TEF para as dedicarmos (com sentido de dádiva) a quem ainda o não fizemos (e são tantos os que o merecem).
P.S.1: o nosso abraço e especial agradecimento a António Fournier, por, entre outras razões, ter sido o coordenador do precioso número 22 da revista Margem 2, de Outubro de 2007, inteiramente dedicado a Ernesto Leal. Sem o contributo de todo o rico material nela compilado este espectáculo era menos Ernesto.
P.S.2: tivemos pudor, mas era para termos escrito isto como se fosse uma carta para ti: Querido Ernesto Leal, o cheiro a milhinho frito há-de chegar até aí, ao teu «coração de eterno e derretido madeirense» como escreveste numa carta para a tua irmã Dulce, e havemos de o fritarar neste espectáculo e numa rua com o teu nome onde nascerás para a infância da humanidade…

* LEAL, Ernesto (2008), Tio, Ilha Anonas e Estrelas. Funchal: Empresa Municipal Funchal 500 Anos, 66-67.
** Este livro está disponível, em versão digital (só leitura), no sítio www.funchal500anos.com.
*** Selecionámos, com intervenção dramatúrgica, os seguintes contos, apresentados no espectáculo, respectivamente: O Homem que Comia Névoa, Tio, Ilha Anonas e Estrelas e O Boi.

Sinopse

«(…) Cai a água. Parte-se ali um pico,
rola um penedo que esmaga com um baque surdo uma velha,
um miúdo ou um galo. Um vilão traz um boi.
(…) Rola o Penedo: quem morre, morre(…).»*

Uma enxerga, um mastro sinaleiro, dois ipads nas mesas de cabeceiras, uma ilha e dois actores navegam basalto abaixo e acima desde a sua furna. Fazem o amor debaixo da bebereira, mas perto do raio da tabaibeira. Ela tem uma paixão por ele, mas este tem-na também pelo boi. A sua amada doutros tempos arranjou um homem dos teatros. Gostam do clube dos cornos e da cerveja que lhes sabe a terra. Os caixões da venda do Pica-Malhetes, enquanto esperam por eles, vão secando as castanhas, mas a ilha é o palácio deles onde comem pão com mel de cana. Falta-lhes um cálice para um vinho Madeira e na terra só faltam asas ao boi.

* LEAL, Ernesto (2008), Tio, Ilha Anonas e Estrelas. Funchal: Empresa Municipal Funchal 500 Anos, 66.

AGRADECIMENTOS

Um agradecimento ao músico Roberto Moniz.
Um agradecimento muito especial a todos os que contribuíram para que este espectáculo se realizasse e cujos nomes não vêm aqui mencionados.


Produção 112 do Teatro Experimental do Funchal